Pantera Cor de Rosa

Este é o blog de Juliana Carpes Imperial, mais conhecida pelos desconhecidos como a Pantera Cor de Rosa por volta e meia ir correr toda de rosa.

domingo, janeiro 14, 2007

Estórias do Ballet 1 - Professora de Jazz

Quem me conhece sabe que eu fiz ballet clássico e jazz por muitos anos. Ainda no primeiro ano, quando eu tinha 10, por uns meses tive uma professora de jazz substituta. Muito boa professora, mas ela claramente não simpatizava comigo. O que levaria alguém a não se simpatizar com uma criança? As alunas em geral gostavam dela. Uma vez, conversando com a diretora, disse que não gostava da "tia" substituta. Ela me perguntou por que, já que todas gostavam dela. Respondi que ela não gostava de mim.

Passaram-se alguns anos e ela passou a ser a minha professora mesmo. Ela não se lembrava de que já havia me dado aula. Mas me tratava de maneira fria. Não era uma questão de eu ser boa ou má aluna. Ela praticamente não me olhava nem me corrigia. Se outras fizessem algo errado, mesmo as que erravam muito, ela corrigia e de maneira simpática. Ela só era antipática quando achava que alguma aluna estava sendo preguiçosa, o que definitivamente nunca foi o meu caso. Mas comigo, ela fazia só uma cara de reprovação. Não só ao cometer um erro durante a aula, mas se eu fizesse qualquer coisa que pudesse ser considerada errada, ainda que pequena (quem não comete pequenos erros?).

Até meu nome ela nunca lembrava. Era como se eu não estivesse ali. Nas coreografias dela, ela sempre me colocava lá atrás e eu sempre aparecia pouco. Acontecia até de ela botar quem dançava errado lá na frente, mas a mim cabia sempre o fundo. Eu sei que não era grandes coisas como dançarina, mas era melhor do que muita gente que ficava na minha frente.

Procurava ser simpática e educada. Mas, como eu era muito nova, não tinha a coragem de chegar e conversar com ela para saber o que se passava. Ficava triste com a situação, por nunca ter entendido o que acontecia. Ela tratava muito bem a minha irmã, que sempre foi boa no jazz. Com a minha mãe, no início ela tinha desconfiança, porém depois era simpática a ela.

Para finalizar a estória, uma vez fui visitar o estúdio e ela estava lá. Sorriu para mim instantaneamente e me deu um forte abraço, algo que me surpreendeu. Na visita anterior ela não havia sido legal assim comigo. Fora fria. Ela já não dá mais aulas lá. Não guardo mágoas. Como já disse em uma postagem anterior, sou kardecista. Sabe lá se eu não fiz algo de errado para ela em alguma vida passada? Se eu estou aqui e não sou missionária, boa coisa eu não devo ter sido no passado.

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