Pantera Cor de Rosa

Este é o blog de Juliana Carpes Imperial, mais conhecida pelos desconhecidos como a Pantera Cor de Rosa por volta e meia ir correr toda de rosa.

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Estórias do Ballet 9 - Diretora

Por enquanto, esta é a última estória do ballet. Estou devendo uma foto minha a caráter.

A diretora foi uma extremamente talentosa bailarina, uma verdadeira artista. Era extremamente rigorosa, muitas vezes exagerando nas broncas. No calor das emoções nos ensaios e nas apresentações, na ânsia da perfeição, chegava a puxar e empurrar alunas. Já até chutara o pé da professora de ballet a quem me referi abaixo, deixando seu pai furioso. Muitas alunas, por causa de suas broncas desproporcionais, deixavam o estúdio.

Ela tinha comportamentos que sempre me desagradavam. Um deles é que, para que ninguém pensasse que fosse racista, costumava colocar na frente alunas mulatas ou negras, que eram poucas, mesmo que não fossem boas o suficiente. Uma pessoa que realmente não tem preconceitos não tem a necessidade de mostrar que não tem.

Mas o que mais desagradava mesmo eram as injustiças. Quando ela gostava de alguma aluna, a colocava em muitas danças e bem na frente, sem dar chances às demais. E nem sempre por ser melhor do que as outras. Os quesitos eram dançar muito bem, não ser branca, ter mãe puxa-saco ou ex-bailarina.

Dizia ela que gostava muito de mim. Se isso fosse verdade, ela teria me dado mais chances. Eu não era muito boa, mas era muito esforçada. Em algumas circunstâncias ela mesmo já reconhecera que eu dançara bem, a ponto de surpreendê-la. Claro que foi duro. Mas se ela investisse e me ajudasse, é claro que eu poderia ter tido mais oportunidades, como um solo, por exemplo. Certamente seria bem mais difícil do que colocar as feras em um solo. Ela teria muito mais trabalho. Na minha opinião, acho mais recompensador atingir os objetivos mais difíceis.

Ela não queria investir em mim. Durante um tempo, até deixou de me corrigir e dizia para outros professores evitarem de fazê-lo. Afinal, eu não era prioridade. Só que dessa forma, o abismo entre as melhores e as outras só aumenta. Era exatamente o que acontecia. As que ela gostava acabavam ficando muito melhores do que as demais, muito mais do que seria o razoável.

Não era só comigo. Havia uma xará minha que sofria ainda mais. Qualquer coisa que fazia de errado era motivo de chiliques da parte da diretora, que se desfazia dela direto. Ela dava a entender que a garota era uma porcaria, o que não era verdade. Uma vez, ela deu um teste só para reprová-la. Porém, aprovou gente muito pior do que ela.

Contudo, ela investira numa menina negra que dançava muito mal quando entrou e que nem esforçada era. No final, ela passou a dançar muito bem, ficando muito graciosa. Ou seja, ela só investia em alguém quando tinha interesses. Nesse caso, o de não dizerem que ela era racista.

Até para tirar as fotos das propagandas do estúdio ela fazia injustiças. A minha xará saíra chorando porque quase não teve chances. Eu cheguei a aparecer numa foto no jornal com a minha turma no meu último ano.

Por fim, a maioria dos professores não questionavam as suas ordens. Apenas a professora de sapateado, talvez por a diretora não acompanhar muito de perto o sapateado. Ela não fazia injustiças, todas tinham chances de aparecer. Uma vez a diretora a perguntou por que eu ficava tão feliz no sapateado. E ela respondeu que me dava chances.

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