Pantera Cor de Rosa

Este é o blog de Juliana Carpes Imperial, mais conhecida pelos desconhecidos como a Pantera Cor de Rosa por volta e meia ir correr toda de rosa.

sábado, janeiro 13, 2007

Estórias do Colégio 1 - Vida de Novela

Não sou de ver novelas. Mas sempre ouço as pessoas comentando que os mocinhos são uns bobões e que sempre acreditam nas tramóias dos vilões, e que na vida real tais coisas não aconteceriam. Por exemplo, um vilão quer separar um casal de mocinhos e inventa uma mentira absurda, na qual um deles acredita e rompe o relacionamento por causa disso. Mesmo seu par tendo sido sempre confiável e o vilão, uma cobra venenosa.

Isso só acontece em novelas, certo? Se você respondeu afirmativamente, está enganado. Pois algo do gênero já aconteceu comigo.

Eu tinha 14 anos e estava no colégio. Naquela época, não acreditava no amor, era cheia de não me toques e costumava me enfeiar, para que não reparassem em mim. Havia um professor de português por quem eu tinha uma certa admiração, mas nada além disso. Ele tinha uns 20 e poucos, era uma pessoa diferente das demais, assim como eu. Mas em hipótese alguma cogitava ter algo com ele. Só vim a descobrir o que era o amor aos 17.

Meus colegas zombavam dele, dizendo que ele era bixa porque era todo arrumadinho e educado. Tenho a certeza de que ele já fora bailarino, por sua postura, posição de pés e alguns gestos. Mas isso não quer que ele não seja homem. Claro que um bailarino acaba sendo mais delicado que os demais homens, porém isso não quer dizer nada. Além disso, acho que não devemos nos meter na opção sexual alheia, isso é algo muito pessoal e deve ser respeitado.

Pr eu defendê-lo, logo começaram a dizer que eu gostava dele. E essa notícia rapidamente se espalhou, chegando aos ouvidos de todo mundo. Até aí, nada demais. É coisa comum adolescentes se apaixonarem por professores. O problema é que uma garota que não gostava de mim inventou que eu dera em cima dele e, como ele não me dera bola, eu saíra dizendo que ele era bixa. Mais ainda, ela dizia que eu ficava tentando seduzi-lo, mostrando a alça do sutiã para ele. Isso era uma atitude típica dela. Porém, estava na cara que eu jamais faria aquilo. Naquela época eu andava mais vestida do que freira. Ela ainda ficava falando para tudo quanto era garoto solteiro que eu estava afim dele e para toda garota que tinha namorado que eu dava em cima do namorado dela. No início todos acreditavam, as garotas sempre ficavam com raiva de mim. Mas no final, viam que era bobagem e esqueciam. Quanto aos garotos, eles passavam a reparar em mim e, graças a ela, ganhei um monte de pretendentes.

Quanto ao professor, ele passou a ter verdadeiro ódio de mim. Começou inclusive a corrigir as minhas provas com mãos de ferro. Cheguei a temer ficar em prova final em literatura. Sorte que acabou tudo bem.

Passaram-se 2 anos e ele ainda me tratava mal. Até que eu, ao dizer que não gostava de alguns professores (eu era chatíssima naquela época, reclamava de tudo e de todos), alguns colegas perguntaram se o motivo era o mesmo do professor de português, ou seja, se eu estava falando mal deles porque não me deram bola. Foi assim que eu descobri tudo. Eu podia ter muitos (e como tinha!) defeitos, mas não era mal-caráter a esse ponto.

Para resolver a questão, tive uma idéia. Havia uma votação em que os alunos premiavam um funcionário e os funcionários premiavam um aluno. Sem me identificar, disse, no papel, que NÃO votava nele, por ele acreditar em coelhinho da páscoa e em Papai Noel. Bastou isso para o seu tratamento para comigo mudar da água para o vinho. Ele deve ter visto o seu erro, não teve coragem de pedir desculpas, mas procurou reparar o mal que fez a mim.

Confesso que ficava triste com o tratamento que ele me dispensava. Eu não entendia nada. Achava que o motivo era por terem dito que eu gostava dele. Todavia, não achava que isso era razão para ele me odiar daquele jeito. Se isso ocorresse hoje, eu o chamaria e perguntaria o que estava acontendo. Mas naquela época eu era muito nova e imatura para tomar tal atitude.

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