Pantera Cor de Rosa

Este é o blog de Juliana Carpes Imperial, mais conhecida pelos desconhecidos como a Pantera Cor de Rosa por volta e meia ir correr toda de rosa.

terça-feira, abril 24, 2007

Estórias do Colégio 3 - Cobra Venenosa 1


Tive uma colega que estudou comigo na oitava série e no terceiro ano. Não a suportava por motivos óbvios. Sempre fui boa aluna. Um dia, na oitava série ela entrou na sala me chamando de nerd. Na época, não sabia o que isso significava. Quando soube não gostei nenhum pouco.

Ela sempre me tratava mal, com muito desrespeito. Morria de raiva, mas não fazia nada. Se eu fosse agressiva, poderia ser suspensa. E se eu fosse grossa, ela e os outros diriam que eu era metida. Eu bem que tentei usar a diplomacia. Porém, talvez não possuísse a sabedoria necessária para conseguir a paz. Talvez nem com o que sei hoje conseguiria. Nesse caso, não veria outra alternativa a não ser a usar a primeira opção. Sou contra isso, mas em alguns casos excepcionais, é preciso partir para a ignorância.

A impressão que eu tenho é que era tudo inveja. Tanto que ela passou a se matar de estudar para também tirar notas boas, o que é louvável. Em épocas de prova, ela me tratava bem e me pedia para ajudá-la. Novamente, com medo de parecer metida, tirava suas dúvidas. Porém, era só as provas passarem para ela voltar a me provocar implacavelmente.

Uma vez em me cansei e disse que não a iria ajudar e que ela era uma interesseira. Ela veio e pediu desculpas, dizendo que não me chamaria mais de nerd. Porém, uma vez teve uma prova de física muito fácil em que muitos alunos, inclusive ela, tiraram 10,0. Eu errei uma besteira incrível e tirei 9,5. Ela e outros vieram e esfregaram a prova na minha cara. Novamente, numa situação dessas, tenho que concordar com a dona de um ônibus na época de infância. Tem que bater em alguns com vontade. Assim, os outros se assustam e param. Se Cristo, com sua sabedoria, precisou usar a violência contra os vendedores no templo, é porque não tinha outra solução. Por que eu não poderia fazer o mesmo?

Mudei de colégio. No terceiro ano, ela mudou também e foi para onde eu estava estudando. Sorte que nunca foi da minha turma. Nunca fui bem educada com ela. Uma vez ela tentou se reaproximar de mim, mas eu via que em seu olhar só havia cinismo e maldade. Disse-lhe que não e que ela não prestava. Ela achava graça.

Depois dos bons resultados no vestibular, já em meados de 97, estava indo ao sapateado. Ela e mais duas me viram na rua e começaram a me seguir, chegando a subir comigo. Nesse dia, não teve aula. Elas desceram e eu fiquei conversando um pouco com a secretária, para ver se elas se cansavam e iam embora de vez. Mas foi só eu descer e lá estavam elas.

Me seguiram até o ponto de ônibus. Entrei no ônibus e elas ficaram do lado de fora me azucrinando. Uma mulher comentou comigo sobre o absurdo da atitude delas. Realmente, elas eram muito grandes para estar agindo assim. Por que não dei com o sapato de sapateado em uma delas e não saí correndo? Mesmo não sendo atleta naquela época, nunca corri mal. Talvez não me pegassem. Ou então, tomariam um susto tão grande que nunca mais fariam tal coisa.

Sou espírita e, portanto, contra a violência. Já fui muito violenta quando criança e adolescente. Seja fisicamente ou em termos de atitudes. Talvez por ter sido vítima de agressões durante essa época. Não devo fazer aos outros o que não quero que façam comigo. E ai de quem fizer o escândalo. Mas nesse caso, não seria justificável o uso da violência? No caso, para me defender de agressões. Essa é a chamada lei de conservação. Todo homem tem o direito de se defender. O que vocês acham?

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3 Comments:

At 1/12/2008 7:35 PM, Blogger Lóginus said...

Bom.. toda ação há uma reação!

Nunca fui chamado de nerd na época colegial... mas, engraçado, depois de entrar pra faculdade já mencionaram muito esse nome à minha pessoa.

Uma vez, eu estava numa apresentação de sapateado de uma amiga minha (que já trabalhou com a gente na Neoconn), e consegui identificar uma das músicas que estava tocando numa das apresentações.
Falei: "nossa... é a música do jogo Castlevania... toda instrumental!"

Amigo meu q tava do lado soltou:
- pfff... mt nerd mesmo!
- se eu fosse um bom conhecedor de vinho e soubesse todas as marcas de vinho no mundo ou se eu fosse um biólogo e soubesse de inúmeras espécies de vida no mar ou se eu fosse um amante das estrelas e soubesse os nomes de inúmeros astros no espaço... eu seria considerado um nerd?
- ehrr.. bem... é que...
- então pronto. cada um com seu conhecimento. evite rotular as pessoas.

O evento era composto por quinze números diferentes. A música que tava tocando no número foi retirado do jogo "Castlevania Symphony of the Night" do PSX e este número tinha o tema "Videogame".

Na saída, mostrei o encarte do evento pra ele mostrando os dados e ainda alfinetei:
- Viu? E você ainda aplaudiu vinte nerds que estavam sapateando no palco.

Violência não.. mas que dá raiva dá! Há muitos tipinhos como essa sua colega por aí!

[]'s

 
At 1/16/2008 7:20 PM, Blogger Pantera Cor de Rosa said...

Sabe qual é a minha opinião a respeito? É que hoje em dia há uma enorme valorização à futilidade. Muitas pessoas só pensam no superficial, em serem famosas, no aqui e agora. Querem curtir os prazeres da vida e nada mais. Ter conhecimentos é algo que elas menosprezam. Quem é diferente, é ridicularizado, é taxado de nerd. O que você acha a respeito?

Beijos.

 
At 1/16/2008 11:43 PM, Blogger Lóginus said...

Concordo plenamente!

Há tantas coisas no mundo... uma pessoa, por mais que não possua estudos acadêmicos possui um conhecimento específico.

Um peão de obra, em sua maioria, não avançou em seus estudos colegiais... mas sabe fazer uma casa fazendo cálculos. Seria este um nerd?

Os grandes artistas, pintores, músicos e matemáticos do passado... eram nerds?

Há diferenças em toda parte... e graças à Deus que há essas diferenças. Pois aprendemos com com as diferenças. Cultivamos esses valores. Mas parece que há uma super entidade que cria um padrão conceitual pra todo mundo seguir... superficializando, futilizando, exibindo um mundo falso de prazer e fama.

 

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