Pantera Cor de Rosa

Este é o blog de Juliana Carpes Imperial, mais conhecida pelos desconhecidos como a Pantera Cor de Rosa por volta e meia ir correr toda de rosa.

quarta-feira, abril 25, 2007

Estórias do Colégio 4 - Professor de Matemática


Eu tive um professor de matemática também no segundo grau que se comportava de uma maneira muito estranha comigo. Também era bem novinho e bonitinho, apesar de lembrar o Mr. Bean. Aliás, ele detestava quando diziam isso para ele ou o chamassem por qualquer apelido.

Na primeira aula que ele deu para minha turma, ele foi frio e grosso. Era todo arrumadinho. Algumas pessoas começaram a dizer que era bicha por causa disso e da organização extrema no quadro, mas isso não era verdade. Ele também não era galinha. Nunca soube de estórias comprometedoras sobre ele com relação a isso.

Por ser boa aluna, ele me tratava muito bem. Porém, comecei a achar que ele me olhava de maneira estranha. Obviamente, comecei a achar que ele estava me paquerando, o que era um fato. Porém, eu achava que ele era galinha. Nisso eu estava errada.

Até que uma vez, ao terminar o segundo ano, fui falar com a secretária para pedir a revisão de uma prova de português. Ele estava lá. Ficou cheio de dengo para cima de mim, a ponto de passar dos limites. A própria secretária percebeu que ele estava claramente me paquerando e começou a puxar assunto com ele para ver se ele parava. Achei que o fazia por ser galinha e passei a não tolerá-lo desde então. Dizia para mim mesmo que partiria para cima dele se me irritasse muito.

Durante boa parte do terceiro ano, mal dirigia a palavra para ele. Até que eu comecei a perceber que ele de fato não era safado. Comecei a achar então que talvez ele gostasse de mim de verdade. Isso começou a fazer com que eu mudasse o meu conceito com relação a ele, embora nunca desse o braço a torcer.

Comecei a gostar dele de verdade, embora ainda não soubesse disso. Dizia que o odiava e o provocava. Vivíamos as turras um com o outro. Ele me tratava bem e ao mesmo tempo vivia me provocando, chegando até mesmo a me atrapalhar em provas e a errar na correção delas propositalmente. Admirava muito a minha inteligência e a rapidez de raciocínio.

Só me dei conta de que estava gostando dele numa aula preparatória para a segunda fase da UFF, quando, ao comentar de um problema da prova da PUC, começamos a rir bobamente. Mas, ao fim da aula, senti que ele queria conversar mais comigo. Porém, eu fiquei com vergonha.

Passado algum tempo, passei a ser monitora de matemática, algo que ele queria. Contudo, o tratamento que ele passou a me dar mudou completamente. Ele passou a ser bem mais frio comigo. De vez em quando me tratava como no passado. Porém, na maioria das vezes era bem antipático.

Ele também começou a ficar "muito amigo" de uma garota que trabalhava na digitação. Ela era muito bonita. Não sei se chegaram a ter alguma coisa. Mas ele já brincou que ela era a namorada dele quando eu estava por perto e ficava cheio de dengo para cima dela quando eu passava. E olhava para mim ao fazer isso. Ela também começou a ficar me olhando, me seguia e ria. Até que um dia fui atrás dela e perguntei quem era ela. Começamos a nos dar bem a partir de então. Ela nunca comentou nada a respeito desse professor.

Não gostava de ser monitora lá. Um dia eu falo mais sobre isso. Ao final do ano, na festa dos funcionários, ele nem olhou para a minha cara e mantinha sempre uma certa distância. Bom, nessa festa só podiam ir os próprios funcionários. Namorados(as) e maridos ou esposas que fossem de fora, não. Portanto, não sei se eventualmente ele estava namorando alguém de fora.

Como não gostava, resolvi sair. Ele nunca ligou pedindo para que eu ficasse. O que mais me levou a querer sair foi justamente por ele não ligar mais a mínima para mim. Queria distância para esquecê-lo. E consegui logo, ao encontrar a minha primeira verdadeira paixão. Após isso, descobri o e-mail dele e mandava e-mails anônimos, provocando-o. Nunca soube se ele os recebeu.

Até que muito tempo depois, procurando por ele na Internet, encontrei seu e-mail no site de olimpíadas de matemática da PUC. Resolvi mandar. Muito tempo depois, ele me respondeu, sendo muito amistoso e propondo que eu fosse visitá-lo no colégio. Respondi novamente, perguntando sobre isso, pois esse colégio é meio difícil de se visitar; os seguranças são muito durões. Todavia, ele não me respondeu mais.

Passados mais alguns anos, eu lhe mandei um outro e-mail para o mesmo endereço ao arrumar os meus e-mails. Também não tive resposta.

Eu era muito infantil na época em que fui aluna dele. Se eu tivesse mais maturidade, talvez essa estória tivesse outro final. Ele também não era nada maduro. E, pelo que achei na Internet, não mudou muito, continuando mal-humorado em suas aulas. Não sei se isso procede, eu não estou lá para saber.

Fico me perguntando o porquê da mudança de atitude dele comigo. Será que deixara de gostar de mim ou o fez para que eu "pagasse" pelo meu comportamento? A princípio, a segunda opção me parece a mais provável. Será que ele não via que eu agia daquele modo por eu ser muito criança? Se ele fosse mais maduro, talvez entendesse isso.

E por que não me respondera mais? Será que é por que não usava muito aquele seu e-mail? Ou alguém o aconselhou a não se aproximar de mim? Poderia ter sido o diretor de ensino, seu amigo e fiel escudeiro quem disse isso. Nunca vou saber.

Faço todas essas considerações porque sinceramente acho que as coisas poderiam ter tido um desfecho diferente. Infelizmente, maturidade só se adquire com a vivência. Não tenho que ficar me culpando e pensando que deveria ter agido diferente. Na época eu simplesmente não seria capaz de tomar outra atitude. Bola para frente e fazer diferente o futuro com o que aprendi.

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