Pantera Cor de Rosa

Este é o blog de Juliana Carpes Imperial, mais conhecida pelos desconhecidos como a Pantera Cor de Rosa por volta e meia ir correr toda de rosa.

quinta-feira, abril 26, 2007

Estórias do Colégio 5 - Professora de Português


No primeiro ano do segundo grau tive uma professora de portugês muito feia, mas que se achava a gostosona. Vivia andando com roupas curtas, apesar de suas gorduras e das celulites. Também era dentuça e sua pele e seus cabelos eram muito danificados. Quando a minha irmã a viu na fita cassete da minha colação de grau, perguntou logo: "Quem é esse canhão?" Por isso a foto acima foi a escolhida para ilustrar esta postagem.

Como professora ela era muito fraca, embora dissesse que era ótima e que todos gostavam muito dela. É incrível como esse tipo de coisa funciona. As pessoas de fato acreditam se você sai dizendo que é isso ou aquilo, mesmo quando é claramente mentira. Mais ainda, as pessoas repetem para as outras o que você diz de si mesmo: "Nossa, fulano é isso!" Como já disse uma vez aqui, o que se passa nas novelas acontece de verdade.

Ela costumava ficar falando da filha dela ou de outras coisas ao invés do mais importante: dar aula. Como a filha dela tinha o mesmo nome e era parecida com uma colega minha, essa professora puxava o maior saco dela. Tinha gente que de fato achava que ela era a filha da professora.

Uma vez, um aluno reclamou com a diretora que ela só falava da filha dela na aula, fazendo com que ela tomasse a maior bronca. Por causa disso, ela fez chantagem emocional com a turma, chegando a chorar. Acharam que eu poderia tê-la dedurado, mas eu não fui, embora tivesse vontade.

Todo mundo queria que ela tomasse conta da prova, já que ela deixava colar escandalosamente à vontade. Uma vez, na turma do segundo ano, todo mundo errou ridiculamente uma conta, sendo a prova devidamente anulada. Ela tomara conta nesse dia. Disseram que a cola foi passada na calculadora para livrarem-na da culpa. Como eu sempre achei colar um absurdo, não gostava quando ela tomava conta das provas que eu fazia. Ainda mais que a cola era escandalosa, com o pessoal trocando as respostas no grito, o que atrapalhava a minha concentração.

Ela ainda costumava falar mal dos demais professores da equipe de português, sendo que na presença deles os tratava super bem.

No ano seguinte, ela passou a ser a professora de redação. Ela vivia elogiando as minhas redações. E dizia que sempre acertava os temas que caíam no vestibular. Ela definia o modelo de redação de maneira muito rígida. Dizia que se não fosse daquele jeito, a banca do vestibular não aprovava. Só que ficava repetitivo a introdução citar os argumentos do desenvolvimento. E dizia que não era uma boa idéia fazer uma redação com prós e contras. Só que na PUC eles queriam com prós e contras. Eu fiz citando e defendendo três argumentos como ela dizia que deveria ser e me dei mal, tirando 5.

No terceiro ano ela também passou a ser a professora de interpretação de texto. Ela só sabia dar as respostas das questões, sem dar maiores explicações. Aula de interpretação tem que mostrar como se interpretar um texto, como fizeram outros professores que eu tive em aulas preparatórias para certas provas do vestibular.

Ela continuava a elogiar as minhas redações. Nos simulados, quando ela as corrigia as minhas notas eram sempre altas. Mas quando era um monitor ou outro professor, as notas eram medianas. Ao reclamar com um outro professor, ele respondeu que para redação comum, nota mediana. Ou seja, minhas redações não eram muito boas. Elas ficavam muito amarradas, justamente porque eu ficava querendo seguir as regras que a professora dizia que tinham que ser seguidas.

No vestibular não deu outra; apenas notas medianas. Ela falou que talvez a minha letra tenha atrapalhado. Sinceramente, não foi isso. O resultado foi o mesmo dos simulados que ela não corrigia. Adicionalmente, ela não acertou um tema, embora tenha dito isso após o vestibular.

Não foi só comigo que isso aconteceu. Algumas pessoas que se davam bem nos simulados não passaram no vestibular porque se deram mal em redação, embora nos simulados tirassem notas altas em tal matéria.

Eu cheguei a reclamar dela com o diretor de ensino, falando das aulas de interpretação de texto dela, nas quais ela não interpretava nada. Mas ele não deu bola. Afinal, ninguém reclamava dela.

Quando eu já era monitora, na tal reunião onde eu reclamei dos gabaritos da lista de exercícios, ela debochou a beça e disse que só podia ser a Juliana mesmo.

Soube anos mais tarde de que ela saíra através de um monitor de português. Pelo que me disseram, ela saiu para que não fosse demitida. Concordamos sobre o que pensávamos dela.

Se hoje eu escrevo bem melhor, devo isso ao fato de ter começado a gostar de ler, o que antes eu detestava. E também a um amigo, Claudio Coutinho de Biasi, por suas valiosas dicas.

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