Pantera Cor de Rosa

Este é o blog de Juliana Carpes Imperial, mais conhecida pelos desconhecidos como a Pantera Cor de Rosa por volta e meia ir correr toda de rosa.

segunda-feira, abril 30, 2007

Estórias do Colégio 8 - Diretor Geral


Para ilustrar o texto sobre o personagem de hoje, só mesmo usando a "imagem de Deus". Embora eu ache pouco razoável a representação de Deus por uma imagem, eu precisava de algo para descrever em imagem o que penso do diretor geral do meu colégio + curso do segundo grau.

Coloquei essa imagem porque se achava perfeito, achando que sua instituição era perfeita. Não tenho como negar que era muito boa. Mas estava longe de ser perfeita. Havia alguns professores ruins, professores que tratavam mal os alunos, problemas com as listas de exercício, cola, etc. Até o melhor colégio do mundo tem problemas. Ele achava que a dele era a melhor instituição de ensino. Só que ele só preparava os alunos para o vestibular e mais nada. O resto não lhe interessava. Não sei como está hoje em dia. Ele também tinha a política de só enfatizar o preparo para as faculdades de maior nome, como UERJ e UFRJ. As outras não tinham tanto valor.

Essa instituição, que ele chamava de sua empresa (ou seja, era para lhe dar lucro), era o quarto projeto de vida dele. Ele já tinha subido e descido 3 vezes antes. Certamente a vaidade foi a causa de sua queda nas vezes anteriores. Ele era uma pessoa extremamente inteligente. Só não entendo como um homem tão esclarecido fumava tanto. Eu, com a minha sinceridade, cheguei a lhe dizer para que não fumasse pois iria morrer. Ele tem família e filhos que certamente querem que ele viva bastante.

Para dizer que os seus alunos eram os melhores, dizia que a minha turma era de super dotados. Pois eu nunca vi super dotados com dificuldade de aprendizado. A maioria que começou comigo no primeiro ano não passou no vestibular. Se ele tivesse dado duro na cola, certamente o resultado teria sido bem diferente.

Ele costumava valorizar muito os seus professores. A maioria era muito boa mesmo. Mas não eram professores de verdade e sim monitores que eram muito inteligentes e tinham boa didática. Alguns, inclusive ele, eram engenheiros, "raça" que ele costumava endeusar. Na minha opinião, é apenas mais uma nobre profissão, como todas as outras. Mesmo sendo engenheira, não acho que a minha carreira valha mais do que as demais.

Quando minha mãe quis me matricular lá, ele não quis nem saber de mim porque eu vinha de um colégio que ele considerava muito fraco. Ele achava isso porque a sua sobrinha estudava lá e não era boa aluna. Ele achava que um bom colégio só tinha bons alunos e um mau colégio, apenas maus alunos. Ele passou a pensar melhor do meu colégio depois de passar na prova de seleção bem.

O colégio era MUITO caro. Eu estudei com gente muito rica, que andava de cruzeiro, tinha motorista, que morava na Vieira Souto, etc. No primeiro ano, tive 65 % de bolsa. No segundo, 50%. No terceiro, minha mãe foi chorar por uma bolsa maior. Disse que eu não merecia mais e que ele ia cortar muitas bolsas, pois ele queria era tirar o dele. Se deu mal, pois eu tive o melhor resultado do colégio. Bem que ele podia me pagar de volta as mensalidades com juros e correção monetária. Acho que mereço. Afinal, dei nome para ele e estou precisando de $$.

Ele deve ter recusado a bolsa maior por causa do ballet. Ele apenas voltou o desconto para 65 % porque meu pai pagou o ano todo de uma só vez. Apesar disso e de nossas desavenças, ele sempre me tratou muito bem, mesmo quando eu já era monitora. Parecia gostar de mim de verdade.

Ele tinha muito medo de seqüestros. Tanto que uma vez alguns professores receberam telefonemas ameaçadores (eles ganhavam bem) e ele lhes deu umas férias para que viajassem. Na época, foi duro convencê-lo para termos escursão por causa disso. Não tínhamos uniforme nem o colégio tinha placas. Era difícil entrar lá e saber informações a respeito de endereço, por exemplo. Até hoje não tem placa. Onde já se viu colégio sem placa? Como se todo mundo não soubesse que é ali. Pelo menos os alunos atualmente têm uniforme, que é bonitinho.

Quem uma vez quase foi seqüestrada lá fui eu. Na época, o colégio era na Usina e havia uma enorme rampa para chegar lá. Eu descia atrás dos meus colegas, pois havia me demorado na saída. Era comum pegarmos carona para subir. Para descer, todo santo ajuda. Até que um carro com uma senhora no banco de trás parou me oferecendo carona. Me aproximei. Nos bancos da frente estavam dois homens mal-encarados. Resolvi recusar. Eles continuaram a descer mas não pararam para o grupo. Se queriam dar carona a alguém, por que não pararam? Muito estranho... Eles teriam prejuízo se me raptassem, isso sim.

Para mim, o maior defeito dele era paquerar algumas de suas alunas. Soube que uma vez uma garota passou mal e ele resolveu levá-la para casa. No meio do caminho, a chamou para ir para a cama. A garota apenas saiu do carro e foi embora. Ele também paquerava esta minha colega descaradamente. Soube que no passado havia um concurso de miss e ele é quem escolhia a campeã.

Também não achava certo o fato de ele falar mal de um professor que ele queria mandar embora na nossa frente e contar de problemas com seus professores quando algum fazia algo errado. Achava isso pouco ético.

Por fim, como o seu objetivo era ter o maior número de primeiros colocados no vestibular, ele colocava professores e monitores para fazer as provas. Também, comprava alunos de outros colégios. Soube ainda que uma vez ele botou o nome de um cara que nunca tinha estudado lá no seu anúncio. O rapaz só não o processou porque ele deu bolsas integrais às suas irmãs.

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