Pantera Cor de Rosa

Este é o blog de Juliana Carpes Imperial, mais conhecida pelos desconhecidos como a Pantera Cor de Rosa por volta e meia ir correr toda de rosa.

sexta-feira, novembro 20, 2015

Santa Marta de Braços Abertos

As inscrições abriram dia 26/10 às 12 h, 2 semanas antes da data originalmente marcada, dia 7/11. Na correria conseguimos fazer, achando que talvez não fosse possível. Desta vez eu iria com meus novos amigos, Eduardo e Thiago.

No dia 3 o Thiago me avisou que a corrida fora adiada e aparentemente não teria, pois o problema era falta de verbas. Várias corridas já foram adiadas por falta de verbas e acabou que nunca foram realizadas. Achei um absurdo não nos avisarem por e-mail. Ele soube por sua assessoria, a Taff, lá do Engenhão, e ao olharmos no site constatamos que era verdade. Ao menos escapamos de uma baita chuva, o que tornaria a aventura que descreverei ainda mais emocionante e tensa.

No dia 9 recebo o e-mail dizendo que a etapa seria no dia 14. Apesar de termos recebido e-mail, continuei achando malfeito. Era para darem pelo menos mais uma semana. Confesso que achei estranho esse adiamento. Seria a chuva, que eles já sabiam que iria cair, pois se pagarmos temos como ter uma previsão mais precisa e bem local? Seria algum problema com possíveis bandidos que ainda estariam no morro? Seria para esvaziar o evento? Seria para inserir alguém que não tinha conseguido se inscrever? Ou para não colidir com a Corrida Eu-Atleta no dia 8/11, projeto da Globo que patrocina o Projeto de Braços Abertos? Nunca vamos saber. Só sei que tínhamos que confirmar com nosso CPF num formulário do Google, onde provavelmente verificaram cada CPF manualmente. Nem formato obrigatório, com só números ou não, tinha. Eu, por exemplo, preenchi 3 vezes de diversas formas e todas elas foram aceitas.

Um deles, o Eduardo, que mora em Botafogo se ofereceu para pegar os kits para todos os inscritos, um total de seis pessoas, o que dá doze quilos de alimentos. Demos a ele toda a documentação necessária por quem busca o kit. Eu não gosto de que ninguém pegue o kit por mim, ainda mais quando é alguém que nunca fez isso por mim pois sempre acho que pode dar rolo. Mas ao final deu tudo certo, ele conseguiu pegar todos os kits e achou o pessoal da organização muito prestativo e gentil.

O kit tinha uma sacola, uma bonita camisa, número (sem nossos nomes como ocorreu na etapa do Caju, infelizmente), chip colável e alfinetes. A lanterna de cabeça seria dada na hora. No xTerra que corri em 2009 à noite a lanterna vinha junto com o kit. Eu consegui achar essa e a levei junto comigo para usar as duas, já que não enxergo bem. A velha estava sem baterias. Ao comprar novas, ela funcionou perfeitamente.

Tudo certo para a corrida, saí de casa umas 18:10 e cheguei lá por volta de 18:40. Como tinha marcado de pegar o kit com ele às 19 h, dei uma volta, fiz o reconhecimento do local, vi onde era a largada, chegada e as escadarias.

Deu 19:05 e nada de o rapaz chegar. Resolvi ligar a Internet do celular e vi uma mensagem de que o Eduardo fora encontrar o Thiago no Shopping Botafogo. Só consegui falar com ele às 19:10, quando já estava chegando e me acharam. As três mulheres inscritas pelo Thiago não apareceram, o que foi uma pena! Seria legal conhecê-las pessoalmente, pois parecem pessoas bem legais. Será que elas não tiveram coragem de encarar a loucura que veríamos a seguir?

Com o kit em mãos pudemos pegar as lanternas de cabeça. Essa era grande e pesada. Porém, com maior poder de iluminação. Fomos deixar nossos Itens no guarda-volumes e eu fui me aquecer. Nisso me perdi deles e só os encontrei após a chegada. Estava ansiosa e meus batimentos estavam altos antes de me aquecer (sentada a BPM mínima deu 93). Isso me levou a me aquecer um pouco mais forte e quase atropelei umas pessoas pelo caminho. Fui até a entrada do metrô e voltei.

Tinha bebido uma água quente que pegara no guarda-volume antes dos rapazes chegarem e antes de largar queria mais uma água. Fui pegar uma na chegada e não quiseram me dar. Meti a mão e peguei diante da reclamação do pessoal da organização. Estava com sede, estava quente e viria uma pedreira pela frente.

Algumas crianças me pediram uma das lanternas mas eu não dei. A ceguinha aqui iria precisar de ambas e precisei mesmo.

Pulei a grade para ficar bem mais para frente e fiquei amassadona. Havia ali muita gente que não era capaz de correr bem rápido. Meus batimentos antes da largada estavam a 140. Me lembrou o dia em que corri o xTerra em 2007 ao meio-dia de baixo de um senhor calor, quando estavam a 165 ao esperar a largada. Novamente esperava aventura e emoção pela frente.

Dada a largada, o pessoal saiu rasgando até as escadas. Eu também fiz força. Contudo, velocidade não é meu forte. Me senti empurrada. Porém dessa vez nada saiu do lugar. Vi uma pessoa caída na largada que me pareceu ser o seu Chico Águia. Continuo a afirmar que é uma temeridade um senhor de 80 anos, mesmo sendo atleta e correndo mais do que muito jovem, sair lá na frente

Chegando nas escadas, peguei um baita engarrafamento. Muita gente parando logo de início. Quando tinha uma brecha, eu corria. A mulher que foi segunda estava ali junto comigo. Apesar de pesado e parecerem intermináveis, onde não tinha engarrafamento ou nas brechas eu corria nas escadas. Até aí tinha luz, muito apoio das pessoas e parecia seguro. O problema veio a seguir.

O segundo trecho era uma trilha escura de descida. Ali eu GELEI de medo. Pedia a Deus forças e coragem. Ia bem devagar. Eu tirei a lanterna nova da cabeça e a levei na mão. Ela era pesada, estava me incomodando, e com ela na mão podia ver melhor onde pisava.  Um senhor me deu a mão e foi comigo. Nisso umas 3 mulheres me passaram e foram embora. A que estava comigo nas escadas já tinha me ultrapassado nesse ponto. Lá em cima me disseram que dava para ver o Cristo com as cores da França, junto com uma bela noite. A corrida foi no dia que se seguiu aos atentados na França e foi por esse motivo que o Cristo estava iluminado com as cores da bandeira francesa. O pavor não me deixou perceber toda sua beleza. Essa descida me deixou com traumas, tendo pesadelos por dois dias.

Quando pude correr, agradeci ao senhor e fui embora. Ainda era o 1º Km. Meu GPS se perdera nas escadas, ficando sem sinal. Tinha uma ambulância para os possíveis acidentados. E de fato isso ocorreu. Ao final vi várias pessoas de pé torcido com gelo no local. Nisso teve uma subida dura, onde corri o tempo todo e uma descidona. Dei a volta e vi que era a sexta. Quase não passo pelo tapete na pressa. Tive que dar um passo atrás e passar por ele novamente.

Na volta pegamos uma subida dura, que era o oposto da descida, uma descida por onde subimos na ida, onde ultrapassei duas mulheres, e uma nova subida que parecia não ter mais fim. Pensei que veria alguns dos meus amigos vindo no sentido oposto, mas nada. Nessa subidona eu não aguentei e comecei a andar. Como andava rápido, passei muita gente, inclusive uma das mulheres da comunidade que passou por mim descendo as trilhas voando. Não vi ninguém aguentando correr ali. Eu confesso que não a vi na volta antes de mim. Nessa subida vi um homem caído com dor e temi ser um de meus amigos. Sorte que depois de eles chegarem vi que não era.

Antes da subidona estavam dando RedBull. Só que seria uma loucura tomar isso. Poderia me dar azia e de certo impediria meu sono.

Depois da subidona tinha que descer as escadas de volta. Foi impressionante o apoio dos moradores. Eles até falavam quando tinha buraco, e tal. Na subida eles também avisavam dos buracos. Novamente, parecia interminável. Para piorar, por já ter caído de escada, tenho trauma e não consigo ir muito rápido. Alguns homens me ultrapassaram aí. Alguns eram até grosseiros, mandando sair da frente. Só que eu estava no cantinho, tinha espaço para eles. Na descida as crianças pediam minha lanterna. Só que ainda me era útil. Mesmo com luz, eu não enxergo bem, principalmente à noite.

Uma das pessoas que me deu forças na corrida é um cara que corre no Maracanã que me chamava de Portão-17 em alusão ao nome de minha equipe e um rapaz que me conhece lá da Quinta cujo nome não sei. Só sei que ele é parecido com o meu amigo Evandro. Na chegada ele falou comigo do fato de eu ter travado na descida. Na descida eu não poderia ter feito melhor. Contudo, acho que poderia ter corrido na subidona. Estava exausta, cheguei achando que iria desmaiar, mas fico na dúvida se não faltou psicológico. Eu subi o Cristo no final do ano correndo tudo quase até o fim. Será que o excesso de adrenalina e tensão atrapalhou? Se eu tivesse corrido, teria conseguido o 3º lugar? Minha amiga Brigida chegou uns 2 min na minha frente. Se tivesse corrido na subidona, teria feito menos tempo do que ela. Entretanto, não sei o que ocorreria se tivesse disputa. A verdade é que nunca vou saber.

Terminei os mais loucos 5 Km que fiz em 42:34, sendo a 59º no geral absoluto, a 4º no geral feminino e a 1º na minha faixa-etária. Infelizmente nenhuma das mulheres que chegaram na minha frente era da comunidade. A que ganhou o 1º da comunidade não foi a mulher que vi passar por mim. Ela pareceu que ia desistir na subidona. A primeira da comunidade chegou uns 5 min atrás. Peguei a água, a maçã, minhas coisas, e fui para a grade de chegada esperá-los. Chegou o seu Chico, o pastor da igreja de lá, que largara ao meu lado, e nada deles. Comecei a ficar muito preocupada. Liguei o celular e vi a mensagem do Eduardo perguntando pelo meu chip, se eu o tinha colocado, uns 20 min antes da largada. Depois de muito tempo chega o Thiago, sendo que o Eduardo chegou logo atrás. Esse me pediu mais água e consegui dois copos lá na chegada. Eles largaram muito atrás e pegaram muito mais engarrafamento do que eu.

Eles foram pegar suas coisas, sentamos na calçada e ficamos conversando, encantados e felizes de termos vivido aquela loucura toda. Eu posso dizer sem dúvidas que foi uma das maiores aventuras que vivi em minha vida. Foi uma enorme adrenalina, Essa rivaliza ou passa o que vivi no cross nas dunas do Ceará em 2014 e a corrida de montanha em Santo Antônio do Pinhal em 2012. Falamos em repetir a dose em 2016. Todavia, por já sabermos pelo que vamos passar, não terá exatamente a mesma graça.

O Thiago esperava mais três amigos que eram de sua equipe, um deles o professor Diego. Eles demoraram, até porque antes deram duas voltas na Lagoa correndo. São loucos! O Eduardo também fez pedal pela manhã. Já o Thiago fizera musculação na véspera. Nada aconselhável antes de uma corrida. Os três adoraram saber que eu era uma atleta de verdade e que terminara em 4º. O mais importante é saber que todo mundo concluiu a prova inteiro, sem torções nem outras lesões.

Antes de irmos embora, tiramos uma foto na largada e outra na praça. Eu ainda tinha pernas para subir na mureta e sair mais alto do que todo mundo. Nenhum de nós demos a lanterna para as crianças que pediam insistentemente exceto o Thiago. Ela pode ser muito útil em uma nova aventura.

Na volta nos dividimos. O Eduardo, que mora em Botafogo, foi comigo até o ponto, já que era caminho dele mesmo. Eu ainda tive pernas para dar um tirão e atravessar o sinal correndo. Fomos pela rua Sorocaba, onde minha irmã mora, até a Voluntários da Pátria. Ficamos conversando até chegar um 438. Estava cansada demais para ler e fiquei encostada na janela de olhos fechados.

Chegando em casa, fui contar a aventura para meus pais. Minha mãe ficou muito preocupada com tudo e achou que fiz a maior loucura. Ela já não queria que eu fosse antes, sem saber tudo o que viria a acontecer. Ela e outras pessoas bem que tentaram me convencer a não ir em vão. Eu gosto de uma aventura. Só nunca pensei que seria algo nesse nível. Nem a Seraphim passou por algo assim durante suas aventuras por Ancaria.

Falei no celular o Eduardo de que tinha chegado e que estava bem. Fui para a cama antes das 23 h. Entretanto, quem disse que eu conseguia dormir. Estava acesona por conta da adrenalina. Só peguei no sono lá pelas 3 h. E estou dolorida até o momento em que escrevo.

Para terminar, melhor do que ter vivido uma aventura dessas, foi ter feito isso acompanhada de amigos com quem pude compartilhar as mesmas emoções!

Marcadores:

0 Comments:

Postar um comentário

Links to this post:

Criar um link

<< Home

Free counter and stats for your website on www.motigo.com